Leite de vaca

O Leite de Vaca

Autor: Dr. Yuri V. Arce R.

“Considerar o consumo diário e abundante de leite de vaca como um costume potencialmente nocivo para a saúde”.

tomando Leche marcela -prontuarioweb

É muito difícil tentar convencer às pessoas, que um produto que sempre foi considerado como altamente nutritivo, extremadamente importante para o desenvolvimento físico das crianças e o grande contribuinte de cálcio para os nossos ossos, possa ter o título de ser potencialmente nocivo para a saúde. Se considerarmos que todos os dias estamos sendo invadidos pelas propagandas na TV que nos falam sobre os benefícios dos produtos láteos das diversas marcas, mas considero que, o que torna mais difícil de erradicar a leite do consumo humano é o agradável sabor que ele tem, como um amigo me diz: “pode ser que seja, veneno incluso, mas é delicioso”.

O leite de vaca efetivamente tem uma serie de nutrientes dentro da sua composição original (ou seja, o leite recém extraída da vaca) que o torna muito útil para o consumo humano, mas vale considerar algo importante, o leite de todos os mamíferos contem imunoglobulinas e proteínas de cada espécie, que permite que os bebes da mesma espécie animal se tornem más resistentes à doenças, que em um primeiro momento  pareceria algo bom, e efetivamente, é uma coisa boa, se você está consumindo o leite de tua mesma espécie. Mas no caso do leite não humano você está consumindo o leite de outro mamífero, cujas imunoglobulinas e proteínas têm sua própria estrutura molecular, diferente do leite humano, que ao ingressar a teu corpo não vai atuar como um anticorpo (proteção), mas sim como um antígeno (agressor). O aparelho digestivo vai ser exposto a esse antígeno cada vez que você consome o leite, criando um processo inflamatório que pode ser continuo, se o consumo de leite é diário.

Os clássicos comentários em contra a ideia do que o leite é nocivo para a saúde são: “Eu tomo leite todos os dias e não me faz mal”, “meu avô de 90 anos toma leite todos os dias e na tem quando ele morra”, “o veneno que não mata, engorda”, ou coisas parecidas. Efetivamente, os danos no organismo vão depender de cada pessoa, e algumas pessoas são mais susceptíveis ou reativas imunologicamente falando que outras, aos compostos do leite de vaca. Uma regra básica em medicina, é que cada ser reaciona diferente ante um agente agressor, isto é, algumas adoecem e outras não. Muitas das consequências de esse consumo vão ser observadas em vários anos, ao que segui outro clássico comentário: “a gente tem que morrer de alguma coisa”.

E se além das imunoglobulinas e proteínas (caseína)(6) considerarmos os hormônios que passam da vaca ao leite, tanto os naturais como os que são colocados artificialmente para incrementar a produção de leite, assim como os antibióticos que a vaca toma devido as continuas mastite que adoece, a desnaturalização do produto depois da pasteurização e os conservantes que permitem ao leite permanecer na caixinha por muito mais tempo. Vocês conseguem se imaginar a quantidade de substancias que são introduzidas no intestino em um único copo de leite. Além disso, você deve ter em mente que a maior parte da população mundial tem algum grado de intolerância à lactose e dar leite de vaca aos recém-nascidos está relacionado à anemia (5) por lesão intestinal continua.

O ser humano continuamente vai se redescobrindo e vai aprendendo das coisas que lhe são nocivas. Antigamente não se sabia que o leite poderia causar dano, agora se sabe. Várias pesquisas questionaram as bondades de tomar leite de vaca, especialmente o clássico pensamento da virtude do leite de calcificar os nossos ossos.

É lógico se perguntar, a quem acreditar? Quem fala a verdade. O ideal é acreditar  nos estudos científicos que dão bases ao conhecimento, não as propagandas enganosas das grandes corporações. Essas corporações somente querem garantir seu lucro e não se importam com o dano que possam fazer com as pessoas, e em alguns casos, essas corporações realizam suas próprias pesquisas, eliminando ou modificando os resultados em seu favor.

Muitos de esses estudos não são recentes nem novidade, simplesmente que foram mantidos ocultos do conhecimento público, e desvirtuados pela publicidade dos laticínios, que é uma das maiores indústrias do nosso planeta e mobiliza grandes sumas de dinheiro em vários países do mundo.

Em alguns anos, quando o tema seja mais difundido e existam mais pesquisas que sustentem uma melhor evidencia, duvido que o consumo de leite não humana desapareça, mas provavelmente  as caixas, frascos e empaques dos produtos láteos incluam uma imagem ou foto que mostre as potenciais doenças que podem causar, similar com que a gente pode se encontrar nas caixas dos cigarros em alguns países. Um futuro onde todas as pessoas saibam com toda clareza que o produto que vão consumir pode ser prejudicial para a saúde, igual que os cigarros, e que eles assomem o risco ao consumir o produto.

Referências:

Como referência desde artigo deixo com vocês uma série de links sobre o tema, a fim de enriquecer a informação. Comecemos por:

  1. O dr. Lair Ribeiro (Cardiologista/Nutrologista/Pesquisador/Palestrante), faz uma recopilação de pesquisas, para nos apresentar una palestra chamada “O mito do leite”. Se você tiver dúvidas, pode procurar cada um dos estudos na internet, estes são as produções cientificas mais novidosas que foram publicados há algum tempo.

  1. Um artigo de revisão chamado: “Cálcio, produtos lácteos e saúde óssea em crianças e adultos jovens: reavaliação dos dados por Amy Joy Lanou, PhDa, Susan E. Berkow, PhD, CNSb, e Neal D. Barnard, MDc. Disponível em: http://www.elsevier.es/sites/default/files/elsevier/pdf/10/10v59n03a13115247pdf001.pdf Nesta revisão de artigos, considera-se que a ingestão de leite ou produtos lácteos, não tem correlação com a mineralização óssea de crianças e adolescentes, deixo um parágrafo da discussão do estudo: “Portanto, dos 37 estudos sobre a administração de produtos lácteos ou a suplementação com cálcio em dietas sem suplementos (com uns valores médios de 160 – 2,000 mg/dia), nos que de alguma forma se controlaram o peso, o estado puerperal e a atividade nas crianças, adolescentes e adultos jovens. Em 27 deles não se encontraram nenhuma correlação entre a suplementação com cálcio na dieta ou o consumo de produtos lácteos e os parâmetros da saúde óssea.
  1. Recentemente a Escola de Saúde Pública de Harvard, limitou o consumo do leite na sua “Guia de Alimentos Saudáveis”.“Limitar a ingestão de leite e produtos lácteos para uma a duas porções por dia, uma vez que o consumo elevado está associado com aumento do risco de câncer de próstata e, possivelmente, câncer de ovário”.

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Copyright © 2011, Universidade de Harvard. Para maiores informações sobre “The Healthy Eating Plate”, consulte “The Source Nutrição”, Departamento de Nutrição da Harvard School of Public Health, www.thenutritionsource.org e Harvard Health Publications, health.harvard.edu. Disponível em: http://www.hsph.harvard.edu/nutritionsource/healthy-eating-plate/

  1. Fratura óssea, leite ou cálcio na dieta em mulheres: um estudo de 12 anos. Feskanich , WC Willett , Stampfer MJ , e GA Colditz. Resultados: Não encontramos nenhuma evidencia de que o aumento do consumo de leite ou de cálcio a partir de alimentos reduza a incidência de fracturas. Conclusões: Estes dados não suportam a hipótese de que um maior consumo de leite ou outros alimentos fontes de cálcio por mulheres adultas, as protege contra fraturas de quadril ou antebraço. Disponível em: http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/9224182
  1. Prevalência de anemia em crianças de 3 a 12 meses de vida em um serviço de saúde de Ribeirão Preto, SP, Brasil. Dos Reis MC, Nakano AM, Silva IA, Gomes F, Pereira MJ. Encontrou-se associação significativa entre anemia e idade da criança e anemia e uso de fluido de leite de vaca. Disponível em: http://www.scielo.br/pdf/rlae/v18n4/pt_19.pdf
  1. Uso do leite para monitorizar a nutrição e o metabolismo das vacas leiteras. FELIX H. D. GONZALES. A caseína representa o 85% da proteína do leite de vaca. Disponível em: http://www.lume.ufrgs.br/bitstream/handle/10183/26656/000308502.pdf?…1#page=61
  1. Almeida JSG, Novak F. O leite humano: qualidade e controle. En Santos Jr (org) Fisiologia e patologia da lactação. Natal: Ed sociedade Brasileira de Mastologia; 1995,
  1. Monteiro CA, Szarfarc SC, Mondini L. Tendência secular da anemia na infância na cidade de São Paulo (1984-1996). Rev Saúde Pública. 2000; 34:62-72. O consumo de leite de vaca fluido tem sido identificado como um dos principais determinantes da anemia no primeiro ano de vida.
  1. http://lecherias.veginning.com/ Huérfanos de la leche (Órfãos do leite) uma pesquisa feita por ELIGEVEGANISMO, que mostra o funcionamento de algumas (pessoalmente não posso generalizar) industrias produtoras de lácteos no Chile. No vídeo que apresenta ELIGEVEGANISMO, leva-nos para conhecer os detalhes da rotina de trabalho nas plantas de produção de leite, o título “Orfãos do leite”, escolhido audazmente, refere-se aos coitados dos bezerros que perdem o leite de suas mães, porque este leite deve ser utilizado para a produção de leite para o consumo humano. Pode ser que quitar o leite dos bezerros não lhe pareça uma coisa cruel, considerando que muitos seres humanos cresceram sem tomar leite materno, mas o fato é que muitas vezes tiram o leite dos bezerros para deixá-los morrer de fome ou são envenenados, porque eles simplesmente não são de valor para as indústrias de laticínios.

Então, quando você vai comprar o seu leitinho no mercado, considere a crueldade com que os bezerros são tratados para produzida o leite, e tenha em mente que o leite de vaca pode ser delicioso e pode conter alguns nutrientes (dependendo do grau de pasteurização), mas também contém vários componentes que na larga pode comprometer a sua saúde.

Convido-lhes a assistir o vídeo “Húerfanos de La leche”:

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Publicado por:

dr. yuri v. arce r.



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